O cristão, o sexo e o domínio próprio

Publicado em 27/07/2014 10:47


A sexualidade sempre foi assunto polêmico ao longo dos séculos. Falar de corpo, de nudez, de sexo e de práticas sexuais lícitas e pecaminosas já era importante desde os tempos do Velho Testamento. Palavras como “conhecer” (Gn 4.1), “possuir” (Gn 6.4) e “deitar” (Gn 19.35) são utilizadas desde os primeiros relatos bíblicos com o sentido de descrever o ato sexual; e nos livros de Moisés (Êx 22.16,19; Lv 18.7-18,22-23), as regras e limites para as relações sexuais são claramente especificadas.

Hoje, a sexualidade tem sido estimulada e explorada ao máximo no meio secular. Crianças a partir de meses de idade, ainda em fase de formação de sua personalidade e caráter, se vêem a mercê de desenhos, músicas e situações que provocam a libido, muitas vezes incentivadas até pelos pais e avós. Adolescentes não-crentes reivindicam o direito de chegar em casa de manhã para durante a madrugada poderem “ficar” com seus pares, enquanto os jovens negociam a liberdade de usar o leito conjugal de seus pais.

A partir dessa realidade da sociedade em nossos dias, onde são tantos os estímulos, recebo a pergunta de um leitor: “Como fica a escolha pela pureza sexual daqueles crentes solteiros que, no passado, antes de conhecerem a Cristo, já tiveram vida sexual ativa? Daqueles que se converteram depois de praticarem sexo com antigos(as) namorados(as)? E no caso dos que encontram a Deus ainda envolvidos sexualmente com suas namoradas? Como lidar com a carência e o desejo? Se não estão presos à lei com ninguém, estão livres para realizar tudo que desejarem fazer?”.

Em primeiro lugar, é importante voltar um pouco e pensar que o ato sexual é uma idéia de Deus e, como tudo o que Ele fez, é bom. Deus criou o sexo, criou homens e mulheres com corpos diferentes, áreas erógenas mais sensíveis e maneiras diferentes de reagir ao sexo oposto. Deus fez homens e mulheres complementares anatomicamente, de modo que a união sexual os torna mais unidos, prazerosos e ampliados.

O sexo, em si, não é algo “impuro” e “sujo”. Ele foi planejado pelo próprio Deus, e não é o Seu plano que o sexo afaste o homem do plano divino, fazendo-o pecar. Ao contrário, Deus quer nossa gratidão por ter criado algo tão bom e também que aprendamos a usá-lo corretamente. O apóstolo Paulo fala a Timóteo que há muitos que ensinam doutrinas erradas, pregando até mesmo o celibato para todos, no que estão errados, “porque tudo o que Deus criou é bom, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com alegria” (1Timóteo 4.4).

A questão toda é o espaço do sexo. O texto de Gênesis 2.24, que inaugura o casamento e apresenta suas bases, diz: “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e estarão ambos numa só carne [ou serão ambos uma carne]”. As expressões “ser uma só carne” ou “ser numa só carne”, que também aparecem em Mateus 19.5,6 e Marcos 10.8, referem-se ao ato sexual. Isso fica evidente quando lemos 1 Coríntios 6.16, quando lemos que o sexo com uma meretriz faz com que o homem se torne uma só carne com ela, sendo dois numa só carne. Assim, é correto afirmar que o ato sexual foi criado para ser desfrutado por um homem e uma mulher (relação heterossexual) de forma a inaugurar o casamento. Portanto, ter relações sexuais fora do casamento implica desobedecer os mandamentos e estatutos divinos, retirando do matrimônio o caráter imaculado e honroso do leito sem mácula de que nos fala a Epístola aos Hebreus – o que implica dizer que o sexo é assunto de natureza espiritual. Dentro do casamento, o sexo ainda tem a função de santificar o cônjuge, mesmo que este não tema a Deus (1Corintios 7.14).

Por ser o sexo de natureza espiritual e estar limitado ao casamento, é que Deus estipulou certos padrões de comportamento para os solteiros. Deus espera que eles respeitem seus corpos, e que os tratem de forma que venham honrar ao Criador. Assim, o corpo do cristão solteiro deve ser mantido física e moralmente limpo, pois nosso corpo pertence ao Senhor: “Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomareis pois os membros de Cristo, e fá-los-ei membros de meretriz? Não, por certo. Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão dois numa só carne. Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Coríntios 6.15,16,19,20).

Quando Paulo, no início do capítulo seguinte (1Co 7.1), diz que não é bom que o homem toque em mulher, ele enfoca um aspecto importante: é mais fácil uma pessoa virgem, que nunca teve relações sexuais, permanecer sem sexo. É que quando uma pessoa já fez sexo com outros, ela sabe o quanto o sexo pode ser prazeroso e, aos primeiros toques e beijos em um novo relacionamento de namoro, o seu corpo excita-se rapidamente, pois o toque ativa as memórias de prazer do corpo. Entretanto, a despeito das memórias, é importante fazer a escolha consciente de negar-se ao prazer do sexo. Na verdade, a escolha nem é mais pela virgindade, mas pela pureza, pela consciência tranquila e limpa diante de Deus, por se saber digno das bênçãos e grato pelo amor divino.

Muitos jovens já iniciados sexualmente dizem que não conseguem parar de pensar em sexo, que sonham com atos antigos, que seus corpos pedem o orgasmo e que não conseguem se dominar. Porém, é importante saber que Deus não nos fez para sermos escravos de nossas memórias e desejos. Afinal, Deus nos deu inteligência para entendermos o que fazemos, nos deu a Bíblia como guia, nos deu uma consciência através da qual fala conosco e nos deu a vontade ou poder de escolher o que fazer. Leia o que diz Paulo aos Filipenses 4.8: “A paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus. Quanto ao mais, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, nisto pensai”.

Infelizmente, há muitos que pensam ou usam o sexo por motivos errados. Há pessoas que, ao conhecerem alguém, pensam que a prática sexual pode aproximá-los. Contudo, o ato sexual é um ato corporal, e só é santo e eficaz para elevar o amor entre o casal quando já existe amor entre eles, de modo que, só neste caso, fazer sexo torna-se fazer amor, torna-se construir amor no outro. Assim, o amor tem que vir antes, e como Deus é o próprio amor, e como ele não está presente e não aprova o sexo fora do casamento, o afeto, ao invés de aumentar, vai ser morto ou substituído por um simples desejo.

Muitos ainda pensam que o sexo funciona como um termômetro para uma relação futura, como se fosse a base para um relacionamento feliz. O prazer do sexo, por melhor que seja, acaba se descolorindo se o casal não aprender a trocar não só as sensações do corpo, mas principalmente seus sonhos e planos. Estar afinado sexualmente não garante a construção de relações afetivas sinceras, mas o inverso é sempre verdadeiro: relações afetivas e amorosas entre cônjuges é que garantem relações sexuais prazerosas.

Também não se justifica fazer sexo por se sentir carente. O princípio do sexo é a doação de si ao outro, é a troca e a manipulação do corpo e dos sentidos. Assim sendo, quanto mais carente a pessoa estiver, ao final do ato, mais ela se sentirá usada, objeto do outro e não para o outro. Surge então uma relação dependente, doentia e que, com o tempo, pode ser muito dolorosa para ambos. Cria-se, assim, um círculo vicioso, onde quanto mais se busca preencher a carência, mais vazia a pessoa fica, mais só, mais vulnerável, mais carente.

Por fim, embora você seja mais forte do que a influência que o sexo pode ter sobre você, não menospreze, teorize ou brinque com a tentação sexual. Em outras palavras, não brinque com fogo, pois você pode acabar se queimando! Quando você sentir que uma pessoa do sexo oposto está se insinuando para você, não espere, não a provoque e nem queira ter um papo do tipo “Vamos conversar a respeito…” ou “Deixa eu lhe dar um conselho e falar sobre mim…”.

A Bíblia diz que nós devemos também fugir da aparência do mal. Assim, evite pegar carona sozinho com uma amiga do trabalho ou conversar sozinho com frequência com pessoas casadas de outro sexo. Não fale de suas intimidades ou carências para alguém do sexo oposto e cuidado com os propósitos e limites de seus namoros. Por fim, fuja e esconda-se em Jesus, esperando nele o tempo certo para poder gozar com o seu cônjuge dos benefícios do sexo.

Vivemos num mundo que, infelizmente, respira sexo. Portanto, é fundamental a arte do domínio do pensamento e do desejo. É imprescindível a conscientização de que, sendo pecado o sexo fora do casamento, praticá-lo ou não passa a ser uma escolha pessoal. E como em toda escolha que você faz ao longo da sua vida, a decisão é toda sua. Lembre-se, porém, que você sempre colherá os benefícios e bênçãos advindas de uma sábia decisão!

Elaine Cruz

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